quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Paz e Bem!
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Comunicamos o novo governo eleito de nosso Mosteiro de Santa Clara, confirmado no último Domingo, dia 15 de Setembro do Ano do Senhor de 2019.

Na foto abaixo, Nosso Bispo Diocesano, Dom Gilson Andrade da Silva, nossa Madre Ivone Maria da Apresentação, OSC; nossa Irmã Vigária: Ir. Maria de Fátima do Divino Coração, OSC e Ir. Juliana Maria da Santa Face, OSC

Agradecemos a Deus pelo bom resultado de nosso Capítulo Eletivo e suplicamos o dom da Sabedoria e da Caridade.

Fraternalmente,

Suas Irmãs Clarissas.


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Solenidade de Santa Clara de Assis - 2019

Louvamos e bendizemos a Deus pela graça de celebrarmos nossa fundadora, Santa Clara de Assis, neste 11 de agosto de 2019!



Após a Novena preparatória, do dia 02 a ao dia 10, 
celebramos a 11 de agosto a solenidade de Santa Clara de Assis.

 Pelas 9 horas, tivemos na capela a oração do terço dos homens, e às 11 horas deu-se início à Celebração Eucarística em honra de Santa Clara, presidida pelo Sr. Bispo Diocesano Dom Gilson Andrade, concelebrada pelos Sacerdotes: Pe. Paulo Pires, Reitor do Seminário Diocesano São Paulo VI,  Pe. Arnaldo Rossi, da Diocese de Mondovi, Itália, Pe. Clínio e Pe. Marcus Barbosa (subsecretário da CNBB), os dois últimos celebravam aniversário de sua ordenação presbiteral neste dia.

Houve grande participação de fiéis, amigos, benfeitores, religiosos e muitos pais que vieram dar graças a Deus pelo seu dia.
Ao findar da celebração houve a bênção e distribuição dos pães de Santa Clara, e uma singela homenagem aos pais. Concluindo com a benção solene com a relíquia de Santa Clara.
Segue a íntegra da homilia de Dom Gilson Andrade:
 
As palavras confortadoras do início do Evangelho de hoje nos ajudam a celebrar com sentido a festa de Santa Clara. Celebrar para nós cristãos é mais que comemorar, é lembrar para reviver, deixar Deus agir de novo e se comprometer com a passagem de Deus na nossa Vida. E hoje estamos celebrando a força renovadora da Páscoa na vida de Clara de Assis, no dia precisamente que ela nasceu para a vida a nova definitiva em Cristo. Lembrava Bento XVI numa catequese sobre a Santa que " a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela" (I5 de Setembro de 2010).

As leituras de hoje falam do motor da vida de Santa Clara e de todos nós, filhos de Deus: as promessas que na sua bondade o Pai do céu quis colocar diante dos nossos olhos. Promessas que não apenas nos lançam para a certeza de um futuro cheio de esperança. mas que também fincam nossos pés nessa terra porque elas são a garantia da vida presente. Quem vive em Deus tem o seu presente, passado e futuro Iluminados. Numa de suas cartas a Santa Inês de Praga, Clara usava a imagem do espelho para indicar como somos convidados a viver o nosso momento presente
sempre diante de Cristo: "olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo e espelhe nele sem cessar, o seu rosto" (FF 2902)

A segunda leitura nos fala de como homens e mulheres da história da nossa salvação caminhavam com determinação, mesmo sem saber onde iam chegar, iluminados pelas palavras da fé. Assim também Clara de Assis deixou a casa paterna e, em companhia de uma das suas amigas, naquela tarde do Domingo de Ramos de 1211, uniu-se secretamente aos frades menores na pequena igreja da Porciúncula.
 
Foi também a fé que a levou a assumir um estilo de vida pautado na radicalidade da pobreza e na confiança total na Providência divina. E lutou com determinação para conseguir um fato inédito para uma ordem religiosa feminina na época, o privilégio da pobreza, Clara e as suas companheiras de São Damião não podiam possuir qualquer propriedade material, uma exceção no direito canônico da época, o que demonstra também que as mulheres na Idade Média não tinham um papel secundário na Igreja.
Aqui convém lembrar também que "Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa" (idem).
 
Celebrando hoje esta festa, neste ano jubilar dos 30 anos do nosso Mosteiro,
constatamos aquilo que o Papa Alexandre IV dizia na Bula de canonização: "Como é
vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na
realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto
fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora.
Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava" (FF, 3284).


Num tempo como o nosso, marcado por tantos desafios e onde parecem que a solução para os problemas da humanidade deve vir dos grandes, Deus nos indica os Santos como os grandes benfeitores da humanidade!
 Como dizia Bento XVI, na carta para o ano clariano, comemorando os 800 anos da
"conversão" de Santa Clara, "no silêncio fecundo dos claustros, Santa Clara. através de suas Irmãs, continua espalhando a boa semente do Evangelho e servindo à causa do reino de Deus" (1 de abril de 2012).
 Para os jovens essa mensagem também guarda sua atualidade. Quantas ilusões e desilusões marcam a situação atual, condição dos nossos jovens. "Nunca um tempo fezsonhar tanto os jovens, com tantos atrativos de uma vida na qual tudo parece possível

 
 
e lícito. E, no entanto, quanta insatisfação existe!" [...] A história de Clara, junto à de Francisco, é um convite à reflexão sobre o sentido da existência e a buscar em Deus o segredo da verdadeira alegria. É uma prova concreta de que quem cumpre a vontade do Senhor e confia n'Ele, não perde nada, mas encontra o verdadeiro tesouro capaz de dar sentido a tudo." (idem)

Concluo estas palavras com a bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs, onde expressa toda a sua ternura materna: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, corno posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há-de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão-de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!» (FF, 2856).



Às 16 horas tivemos a Santa Missa com a celebração do Trânsito de nossa mãe Santa Clara, sob a presidência do Ministro Provincial, Frei César Külkamp,OFM, sendo concelebrada pelo Assistente das Irmãs Clarissas no Brasil, Frei Raimundo de Castro, OFM, Frei Almir Guimarães, OFM, e Sacerdotes Diocesanos, Pe. Ricardo Nunes e Padre Porfírio. Destacamos, a presença dos estimados frades franciscanos de Petrópolis, além de religiosos, amigos e fiéis devotos de Santa Clara.
Transcrevemos, a seguir, texto e fotos preparados pelos Frades da Província da Imaculada Conceição do Brasil sobre a presença do Ministro Provincial Frei César Külkamp, OFM nos Mosteiro das Clarissas da Gávea e de Nova Iguaçu:

Neste dia 11 de agosto nem foi preciso oferecer ovos para santa Clara, como remonta a tradição, para garantir um dia de céu azul e tempo firme. Nos Mosteiros das Irmãs Clarissas de Nova Iguaçu (RJ) e Irmãs Clarissas da Gávea, no Rio de Janeiro, as festividades aconteceram durante todo o dia. O Ministro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, Frei César Külkamp, presidiu a primeira Celebração Eucarística, às 11 horas, na Gávea e concluiu as festividades em Nova Iguaçu. 


Segundo o Ministro Provincial, seremos cristãos, franciscanos ou clarissas, autênticos se nos consagrarmos à alegria de quem vive com o Senhor. “Desta forma, estaremos abrindo nossa Fraternidade, nossa Comunidade e nossas famílias à ação de Deus e permitindo que esta grande santa, ainda que um vaso de barro, como todos nós, traga um pouco mais de claridade, de brilho à Igreja e ao mundo de hoje”. 


A Santa Missa em Nova Iguaçu contou com a Celebração do Trânsito de Santa Clara e com a presença dos frades estudantes de Teologia de Petrópolis (RJ), além de religiosas franciscanas dos mais diferentes institutos e devotas da santa Padroeira da televisão. As Irmãs Clarissas de Nova Iguaçu têm motivos de sobra para celebrar, pois neste ano estão celebrando o Jubileu dos 30 anos de inauguração do Mosteiro dedicado a Santa Clara, que marcou uma época e trouxe para a Igreja uma inspiradora história de amor, devoção e fé.

Veja a homilia na íntegra de Frei César Külkamp:
– Queridas irmãs de ideal e de vida, nossas irmãs Clarissas;
– Caros confrades aqui presentes, filhos também no espírito e no ideal de nossa Mãe, Clara de Assis;
– Queridas irmãs religiosas franciscanas dos mais diferentes institutos;
– Demais irmãs e irmãos presentes, a todos vocês Paz e Bem!
Celebramos hoje, em espírito de Fraternidade, esta solenidade que nos transporta para o trânsito de Santa Clara. Lá, no dia 11 de agosto de 1253, quando ela deixou este mundo como um dom precioso a todo o Povo de Deus.
Não celebramos apenas como um dia festivo, mas como uma oportunidade de nos deixarmos tocar pela provocação da vida e do ideal desta seguidora mais perfeita de nosso Pai São Francisco. Aquela que ele cultivou como sua “plantinha”. Por isso, ela é para nós “mestra” neste seguimento de Cristo ao modo de Francisco. E, na sua criatividade, soube colher aquilo que é o coração e o drama de todo o movimento franciscano. Por isso, hoje celebramos o nosso carisma franciscano. Em seu ideal apaixonado e apaixonante, Clara nos provoca a tomarmos, também nós, um lugar nesta grande história de seguimento radical dos passos do Cristo.
Seu testemunho marcou a vida de uma multidão de fiéis, não só entre suas irmãs ou dentro da Ordem Franciscana, mas desde papas e reis até os mais simples e pequeninos que conseguiram ver nela, como num espelho, o reflexo de Jesus Cristo, pobre e crucificado.
A Clara de Assis nobre, rica e bela não pôs nestes atributos os valores maiores de sua vida. Desde os primeiros anos, esforçava-se em amar profundamente o Cristo. Assim, foi percebendo em si o chamado para uma missão maior. Aspirava por uma vida com mais sentido.
Ouvimos em sua carta a Santa Inês de Praga como ela insiste no olhar cotidiano ao espelho que é o Cristo para nele examinar-se e a partir dele tornar-se inteiramente revestida e adornada com as sublimes virtudes: a feliz pobreza, a santa humildade e a inefável caridade.
O referencial de Clara é o Cristo e não Francisco. Mas foi o olhar afinado por essa contínua contemplação que a fez observar de longe e, cada vez, com mais atenção, a transformação ocorrida em Francisco, sua renúncia aos bens e à família, os seus primeiros seguidores e o estilo de vida que levavam. Foi percebendo neles o encontro com o verdadeiro significado da vida, a plena felicidade.
Em 1210, assiste às pregações de Francisco e sente que o ideal a ser buscado é este. Depois de muitas conversas com ele, aos 18 anos, numa noite de Domingo de Ramos, em 1212, Clara foge de casa e vai ao encontro dele e de seus frades que fazem a sua consagração na igrejinha da Porciúncula. Desde o início, com a sua firmeza de mulher decidida, resistiu a todas as tentativas de afastá-la deste ideal. Logo vieram as primeiras companheiras e foram morar juntas no Conventinho de São Damião. Nasce assim a II Ordem Franciscana, a Ordem das Clarissas, das seguidoras de Francisco.
O início foi duro: extrema pobreza, instabilidade de moradia e sustentação. Ela mesma escreve em sua Regra sobre as tantas afrontas, humilhações e desprezos que fizeram amadurecer a opção tomada. Muitas destas seguidoras de Clara e Francisco se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.

A vida de Clara é pouco conhecida porque não foi vivida com grandes realizações como tanto se valoriza no mundo de hoje. O impressionante nela é a qualidade do amor vivido diariamente numa relação direta com Deus: tempo, espaço, trabalho, repouso, silêncio, Palavra.
E a escuta atenta da Palavra, novamente este espelho que reflete muito claramente o próprio Cristo, leva-a a uma vivência muito concreta de seus valores. A forma de vida, por ela escrita, tal como a de Francisco, consiste em viver o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo (RCl I, 1-2).

De todos estes valores, destaco, hoje, apenas três, mas que são valores centrais extraídos do Evangelho na vida de Clara:

– A Vida Contemplativa para Clara não significa simplesmente viver no isolamento, fechada pelas paredes de um claustro. É, acima de tudo viver como consagrada, na escuta constante de Deus, ou seja, uma vida habitada por Deus. É a virgem atraída ao deserto de que nos fala o Profeta Oséias, na primeira leitura. O deserto é o silêncio, a escuta da contemplativa, que aí pode ser desposada com benevolência e ternura. Ou é a conexão do ramo à videira, da contemplativa ao seu Senhor, de onde pode sorver o amor gera vida e frutos.
– A vida em fraternidade é o lugar teológico da vivência do Evangelho, onde, no cuidado de cada irmã, aprende-se da relação com Deus a “conservar a unidade da recíproca caridade” (RCl X, 7). Assim como Deus nos ama e acolhe sempre de novo com o mesmo amor misericordioso, apesar de todas as nossas imperfeições e infidelidades, não cabe à irmã outra postura senão a comunhão amorosa que vê em quem está do lado o “presente” do Senhor. Este é um belo fruto de Seu amor.

– A vida sem nada de próprio ou a guarda da santíssima pobreza é o elemento que não é negociável. É a opção de fundo que inspira a decisão de viver “a perfeição do santo Evangelho” (Fv1). Como Francisco, Clara é apaixonada pela pobreza e faz dela o itinerário de sua vida. Luta para alcançar o “Privilégio da Pobreza”, ou seja, o direito de não ter propriedades. Não queria que seus mosteiros tivessem formas seguras de manutenção. Viver na precariedade, sentir falta até das coisas necessárias, faz parte desta aventura evangélica e da aposta na confiança total ao Deus amor e providência. O pequeno ramo que vive da videira.

Com estes valores podemos perceber como Clara tornou-se mestra da nossa rica espiritualidade franciscana e esta luz que brilha e afasta as trevas do mundo. Ela tem muito a nos dizer. Não só em palavras, mas principalmente com o seu testemunho vigoroso. Testemunho este que também sustentou os frades da origem, órfãos de Francisco. Uma fortaleza que emanava da condição frágil e enferma daquela mulher em seu leito.

Nós temos hoje a tentação de falar demais, de interpretar a vida. Nós estudamos, refletimos sobre a pobreza; Clara casou-se com ela. É mais fácil falar e questionar do que viver. Clara é uma expressão da vivência radical do Evangelho: vivê-lo e nada mais. Mas, não faz isso com dureza. Coloca os valores essenciais do cristianismo no modo cotidiano, simples, fraterno e feminino de viver.
E aquele desejo de menina, de buscar um sentido maior para sua vida se concretiza na clareza de sua vocação.

Seu testemunho clarividente é, para nós, uma garantia de que viver assim é possível. Seremos cristãos, franciscanos ou clarissas, autênticos se nos consagrarmos à alegria de quem vive com o Senhor. Desta forma, estaremos abrindo nossa Fraternidade, nossa Comunidade e nossas famílias à ação de Deus e permitindo que esta grande santa, ainda que um vaso de barro, como todos nós, traga um pouco mais de claridade, de brilho à Igreja e ao mundo de hoje.
“Quem permanecer em mim e eu nele, dará muito fruto. Meu Pai será glorificado, se derdes muito fruto, e assim sereis meus discípulos” (Jo 15, 5.8).


***
Louvado sejas, meu Senhor, por nossa mãe Santa Clara de Assis!